Presságio: X

Olhamos eternamente

para as estrelas

como mendigos

que eternamente

olham para as mãos.


E imaginamos

cousas absurdas

de realização.

Cousas que não existem

e cujo valor

é o de consistirem

parte da ilusão.


E olhamos eternamente

para as estrelas

porque parecem diferentes.

E quando agrupadas

eu as revejo individualizadas.

Estrelas… só.

Quem sabe se naquela imensidão

elas sofrem o mal dissolvente,

passivo,

mas dissolvente ainda: solidão.


Brilham para o mundo.

No entanto estão sozinhas

na lúgubre fantasia de pontas.


Nunca, meditem,

nunca as encontraremos

pois elas olham

igualmente para nós

e nos desejam

porque estão sós.

Biblioteca Poeta, 2025