Presságio XII

Dia doze... e eu não suportarei

o estado normal das cousas.

O ano que vem, não vou desejar

felicidades a ninguém.


Nem bom natal, nem boas entradas.


Meus amigos sabem de tudo o que eu sei.

E continuam a viver sem interrupção,

apressadamente como no ato do amor.

São doidos e não percebem que amanhã

Cristina não virá.

Que amanhã Cristina vai morrer

porque ama a vida.


Amanhã serei corajosamente Cristina.

Eu, amando todos os que sofrem.

Eu... essência.


Mas os meus amigos, coitados,

não percebem.

Fazem filhos nascer, fazem tragédia.

Não sabem que o amor não é amor

e a natureza é um mito.


Não sabem de nada os meus amigos.

E não vou explicar

porque podem ficar sentidos.

São puros, vão morrer como anjos.

Vão morrer sem nada saber

daqueles dias perdidos.


Vão morrer sem saber que estão morrendo.