Presságio XXI

Estou viva.

Mas a morte é música.

A vida, dissonância.

Minha alegria é como

fim de outono porque

tive nas mãos ainda flores

mas flores estriadas de sangue.


Há cristais coloridos

nos teus olhos.

Vida viva nos teus dedos.


Estou morta.

Mas a morte é amor.


Não fiz o crime dos filhos

mas sonhei bonecos quebrados

sonhei bonecos chorando.


Alguns dias mais

e serei música.

Serás ao meu lado

a nota dissonante.