Você me perguntou se eu conhecia o poema “Having a Coke with You”
Eu disse que eu lembrava vagamente, mas não realmente
então você recitou ele inteiro. Estávamos andando
de algum lugar perto do City Hall indo para a South Street
e o tempo inteiro que você estava recitando eu ficava pensando
“Essa foi a última linha do poema?” depois de cada linha
e toda vez que eu pensava isso, eu pensava ainda mais
porque a medida que o poema se alongava o fato de você estar recitando ele
de memória ficava cada vez mais difícil de acreditar
até cerca de dois terços do poema
eu parei de pensar sobre o quão grande ele era e comecei a ouvir
como já estava, mas só um pouquinho, por conta de tudo. Enfim,
comecei a ouvir completamente, acreditando
que o poema em si era a única razão pela qual você o estava recitando
mas assim que terminou você começou a falar sobre
como você costumava pensar que aquele poema era apenas sobre como era
libertadoramente banal estar apaixonado por alguém
mas você falou que recentemente começou a pensar
que era mais sobre a idiotice de se importar com arte
quando você poderia gastar toda essa energia cuidando de alguém
que você ama, e você disse que estava se perguntando qual
era o meu posicionamento nessa questão agora que eu havia ouvido o poema
e eu fiquei tão impressionado com a pergunta quanto surpreso
por você poder recitar tão casualmente um poema tão longo e bom
e que você nem mesmo o recitou primariamente para solicitar
apreciação pela sua recitação, mas sim para perguntar
o que eu achava sobre o que você pensava sobre ele
antes, comparado ao que você pensa agora, e foi nesse momento
que eu soube que queria ficar com você para sempre.