A Esperança
por Emily Brontë, tradução de Renata Cordeiro

Esperança, amiga insegura;
        Sentou-se fora do covil,
Para ver a mim e à ventura,
        Como um ser egoísta, vil.

No seu temor, como foi má;
        Entre os grilhões, dia sombrio,
Olhei para fora e a vi lá,
        Sua face fez um desvio!

É vigia, falsa entretanto,
        Mas na luta por paz cicia;
Como cantava no meu pranto,
        Se a ouvisse, Ela emudecia.

Falsa e impiedosa, a Esperança;
        Quando as alegrias rolaram,
Contrito, até o Pesar viu as lembranças,
        Que ao meu redor se esparramaram.

Esperança, se ciciasses,
        Trarias alívio aos meus ais,
Ao Paraíso, vôo alçaste,
        Partiste, para nunca mais!