Eu Não Tenho a Alma Covarde
por Emily Brontë, tradução de Renata Cordeiro

        Eu não tenho a alma covarde,
Pois frente aos vendavais, eu nunca tremo:
        O Paraíso brilha, arde,
Como a fé, pela qual eu nada temo.

        Deus, meu peito Te abrigou.
Deidade poderosa e onipresente!
        Vida - que em mim repousou.
Como eu - Vida Imortal - em Ti, potente!

        Movem-nos o peito em vão
Mil credos que não são mais do que enganos;
        Sem valor, brotos malsãos,
Ou a ociosa espuma do Oceano,

        A pôr dúvidas num ente
Pego assim pela Tua infinidade;
        Preso tão seguramente
Na firme Rocha da imortalidade!

        Com o amor de um grande enleio
Teu espírito o tempo eterno anima,
        Para cima e de permeio,
Muda, apóia, dissolve, cria e ensina.

        Se a Terra e a lua findassem,
Se não houvesse sóis nem universos,
        E se, só, Te abandonassem,
Haveria existência em Ti, por certo.

                A Morte não tem lugar,
Nem pode um único átomo abater:
        És o Sopro mais o Ser
        Nada pode jamais Te exterminar.